Dia Nacional de Combate ao Fumo - Viver é muito mais que um hábito


O tabaco prejudica a saúde, mas também causa danos sociais, políticos, econômicos e ambientais. Por isso, no Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), empresas, ONGs e instituições governamentais unem-se em campanhas para potencializar o alcance da prevenção da iniciação e apoio à cessação do fumo, bem como a promoção de ambientes livres de fumaça do tabaco. O Grupo Farrapos apoia esta iniciativa, bem como o cumprimento da lei nacional sobre ambientes livres de fumo (Lei 12.547/11).

Segundo estudo apresentado em maio deste ano pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), o prejuízo anual provocado pelo tabagismo, só no Brasil, é de R$56,9 bilhões. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura.

Segundo a OMS, o consumo do tabaco mata mais de 7 milhões de pessoas todos os anos, sendo responsável por cerca de 16% de todas as mortes provocadas por doenças crônicas não transmissíveis. O custo aos lares e aos governos passa de US$ 1,4 trilhão em despesas com saúde e com a perda de produtividade.

Tabaco é droga e tabagismo é doença

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como a dependência da droga nicotina, sendo, portanto, uma doença, não um hábito. Não importa se seu consumo seja por meio de cigarro, cigarrilha, charuto, cachimbo, cigarro de palha, fumo de rolo ou narguilé. Das cerca de 4.720 substâncias contidas em um cigarro, três delas podem ser fatais para a saúde:

> Nicotina: diminui o tamanho das artérias, gerando baixo desempenho muscular, e aumenta os batimentos cardíacos;

> Alcatrão: diminuía elasticidade do pulmão e a capacidade respiratória;

> Monóxido de carbono: provoca frequentes faltas de ar, ao competir com o oxigênio.

Os efeitos de um trago

Segundo o Instituto do Câncer (INCA), após ser absorvida, a nicotina atinge o cérebro entre 7 e 19 segundos, liberando substâncias químicas para a corrente sanguínea que levam a uma sensação de prazer e bem-estar. Essa sensação faz com que os fumantes usem o cigarro várias vezes ao dia. Por sentir prazer, o fumante busca o cigarro em situações de estresse, para "relaxar".

Tratamento

Ninguém disse que parar de fumar é fácil. Tratar a dependência da nicotina requer o questionamento profundo sobre o que faz cada pessoa fumar, orientações sobre como parar, como resistir ao desejo incontrolável de fumar e, principalmente, como viver sem cigarro.

O Ministério da Saúde, por meio de Centros de Referência em Abordagem e Tratamento dos Fumantes e nos hospitais capacitados segundo o modelo do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), disponibiliza gratuitamente medicamentos como adesivos, pastilhas, gomas de mascar (terapia de reposição de nicotina) e cloridrato de bupropiona.

Neste quesito as notícias são boas: pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, revelou que em 2013, 73,1% das pessoas que tentaram parar de fumar conseguiram tratamento, um aumento importante em relação a 2008, quando o índice era de 58,8%.

Como parar de fumar

O SUS oferece tratamento para tabagismo em mais de três mil municípios brasileiros, com profissionais de saúde capacitados, materiais de apoio e medicamentos gratuitos.

Para mais informações, acesse: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo/tratamento-do-tabagismo

Entre em contato com a Secretaria de Saúde da sua cidade e saiba onde existe uma unidade do SUS que oferece o tratamento do tabagismo. Ou, para mais informações, disque 136.

Mais dados estatísticos

Dados estatísticos mostram ainda que em 2015, morreram no país 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco, o que representa 12,6% dos óbitos de pessoas com mais de 35 anos. O fumo passivo foi a causa de morte de 17.972 pessoas.

Ano passado, o Ministério da Saúde e o INCA divulgaram dados positivos sobre a queda na mortalidade por câncer de pulmão entre homens no Brasil, de 18,5% por 100 mil, em 2005, para 16,3% por 100 mil, em 2014.

Infelizmente, somente entre as mulheres a taxa de mortalidade por câncer de pulmão aumentou de 7,7% em 2005 para 8,8% em 2014 e a tendência é evoluir nos próximos anos. “No Brasil, as mulheres começaram a fumar depois dos homens, com a popularização de marcas de cigarros para o público feminino nas décadas de 70 e 80. A taxa de mortalidade entre as mulheres continua subindo, mas nossa previsão é que, futuramente, comece a cair, se mantivermos a tendência de queda no uso do tabaco no país” analisa a médica, epidemiologista e gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA, Liz Almeida, em entrevista à Agência Brasil.

Não esquecendo o fato de que em razão do uso de tabaco um câncer de pulmão pode levar até 20 anos para aparecer, entre 1989 e 2013, o país sofreu uma redução do número total de fumantes (homens e mulheres) de 18 anos ou mais, de 34,6% para 14,7% e a curva continua descendente.

Segundo dados da pesquisa 2002-2016 do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) divulgada pela Agência Brasil, a prevalência por faixa etária é 7,4% entre jovens com menos de 25 anos e 7,7% entre idosos com mais de 65. A faixa com mais fumantes, 13,5%, é a de adultos entre 55 e 64 anos. Entre as capitais, Curitiba tem a maior proporção de fumantes (14%), seguida de Porto Alegre (13,6%) e São Paulo (13,2%). A menor prevalência é em Salvador, com 5,1% de fumantes.

Ainda de acordo com a pesquisa, o Brasil tem três marcos que contribuíram para a redução do tabagismo: a proibição da propaganda e da glamurização do fumo em 2000, a proibição de fumar em ambientes fechados, em 2005, e o aumento do imposto sobre cigarro, de 2011 a 2016, aliada à obrigação das imagens de advertência nos maços (2008) e à oferta do tratamento para deixar de fumar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Há um consenso entre as instituições de que, agora, é preciso uma nova política para seguir reduzindo o consumo.

Claudia Rachid |Agência Brasil | INCA | MS | OMS | Vigitel

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