Revolução Farroupilha - ideais de liberdade traçados à sombra de um cipreste


Muitas decisões históricas do nosso país foram tomadas ao ar livre, e não a portas fechadas, em uma imensa mesa da sala de reuniões. Foi assim, por exemplo, com o evento do ‘Independência ou morte!’, declarado por D. Pedro às margens do Ipiranga, que marcou o início do processo de independência do Brasil.

Também é o caso da Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha, como ficou conhecida a guerra regional de caráter republicano, iniciada em 20 de setembro de 1835, na província de São Pedro do Rio Grande do Sul (RS), contra o governo imperial do Brasil. O embate, que durou 10 anos e que resultou na declaração de independência da província como estado republicano, foi traçado à sombra de um cipreste (foto acima).

Uma árvore histórica

Diz o folclore gaúcho que foi embaixo de um cipreste, posteriormente batizado de ‘cipreste farroupilha’, localizado na Praça Gomes Jardim da cidade de Guaíba (RS), que em 19 de setembro de 1835 os líderes farroupilhas do movimento – Bento Gonçalves, Onofre Pires e Gomes Jardim – traçaram os planos de invasão de Porto Alegre para o dia seguinte. O encontro deu início à Revolução e a bela árvore tornou-se símbolo oficial do Rio Grande do Sul, estando presente no hino, no brasão e na bandeira de Guaíba. Lá, encontram-se o busto e os restos mortais de Gomes Jardim.

Quem foi José Gomes Jardim

O fazendeiro e maçom José Gomes de Vasconcelos Jardim era médico-prático e militar e foi presidente interino da República Rio-Grandense, depois que o general Bento Gonçalves foi preso na Ilha do Fanfa. Foi em sua casa em Guaíba que Bento faleceu, em 1847. A casa é tombada desde 1994 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul. O ‘cipreste farroupilha’ ficava na propriedade de Jardim, chamada ‘Estância das pedras Brancas’.

O tratado de paz

Porém, um dos processos mais importantes da história da Revolução, o fim da guerra, teve início em uma cidadezinha hoje com 39 mil habitantes, conhecida atualmente como ‘capital da paz’: Dom Pedrito, localizada entre Bagé e Santana do Livramento. Foi ali, quando a região era conhecida como Poncho Verde, assim denominada por causa de seus campos verdejantes, que o tratado de paz foi assinado, em 1º de março de 1845, dando fim à revolução. O Tratado de Poncho Verde fez então o território litigante voltar a fazer parte do império brasileiro de D. Pedro II.

Monumento à Paz Farroupilha, na cidade de Dom Pedrito (RS)

Apesar da reintegração, a República Rio-Grandense está simbolicamente perenizada na bandeira e no brasão do estado do Rio Grande do Sul. A cidade de Porto Alegre mostra em seu brasão o título de ‘Mui leal e Valerosa’, que lhe foi conferido por D. Pedro II, pela resistência ao cerco imposto pelos republicanos farroupilhas.

Foto do Cipreste histórico na Praça Gomes Jardim em Guaíba: Por Marcoslemosbr - Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=19275055

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