Calçados: exigências são por prazos menores de entrega, com fluxo da informação concomitante

Por fabricar um produto com ciclo de vida pequeno – os novos lançamentos no mercado costumam ser bimestrais –, esta indústria exige agilidade não só na logística, como também no embarque, no transporte e na distribuição. Por outro lado, o fracionamento dos lotes enviados encarece os custos logísticos.

Envolvendo algumas das mais tradicionais indústrias do Brasil, o setor de calçados tem grande importância para a economia nacional e, principalmente, dos estados em que a categoria exerce grande força. Apesar da concentração das empresas de maior porte estar localizada no Estado do Rio Grande do Sul, a produção brasileira de sapatos encontra-se pulverizada em outros polos, como as regiões Sudeste e Nordeste.

Um dos destaques em crescimento é o interior de São Paulo, com os municípios de Jaú, Franca e Birigui, assim como Minas Gerais, nas localidades de Nova Serrana e Belo Horizonte. Paraíba, Ceará e Bahia também possuem unidades fabris de grande relevância e empresas de diversos portes. No Sul, a região de São João Batista, em Santa Catarina, vem se sobressaindo com números expressivos de produção.

Assim, diante desta pulverização de fabricantes, e também das características dos próprios produtos, o segmento de calçados enfrenta uma série de desafios, em termos de logística.

“Em um mercado exigente no transit time, os maiores desafios são obter otimização nas transferências e diminuição nos prazos de entrega, atendendo a exigência do setor”, expõe Antonio Carlos de Araujo, macro regional Centro-Oeste/Sudeste da Alfa Transportes EIRELI (Fone: 49 3561.5100).

Florisvaldo Hudinik, diretor presidente da Expresso Princesa dos Campos (Fone: 0800 42.1000), também coloca como grande desafio as exigências por prazos menores por parte dos Operadores Logísticos. “A operação tem que ser mais rápida, mais eficiente. A margem de erro das empresa é praticamente zero e a eficiência precisa ser cada vez maior. Ou seja, não devemos apenas entregar no prazo, mas o fluxo da informação deve ser concomitante.”

Porém, ainda para Hudinik, o maior desafio é o custo. Cada vez mais os embarcadores do setor se veem obrigados a fracionar ainda mais os lotes enviados, o que encarece os custos logísticos. “O movimento que tem acontecido na Princesa dos Campos é que, até alguns anos atrás, os pedidos eram mais espaçados, porém com grandes quantidades. Hoje ocorre o inverso: pedidos regulares, com volumes menores.”

Mais elucidativo, Ismael Zorzi, diretor executivo do Grupo Farrapos (Fone: 85 3052.3146), enfatiza que o setor calçadista é muito diferenciado no que diz respeito à sua logística, se comparada à tradicional, revelando-se muito dinâmico, tanto no que diz respeito à produção de itens como no transporte e na logística. Por fabricar um produto com ciclo de vida pequeno – os novos lançamentos no mercado costumam ser bimestrais –, esta indústria exige agilidade não só na logística, como também no embarque, no transporte e na distribuição. Para os Operadores, isso impacta ainda no gerenciamento de estoque, que precisa ter um giro alto para atender a demanda do mercado, especialmente o da moda.

Entre os principais desafios enfrentados pelos Operadoras neste setor, Zorzi cita: Planejamento eficaz na entrega a custos razoáveis; Fluxo de distribuição que atenda à grande demanda por carga fracionada por parte dos embarcadores; Unitização do carregamento e separação dos produtos, uma vez que são muitas as variáveis em cada SKU (tamanho, modelo, peso etc.); Cuidados especiais no transporte, a fim de evitar danos à carga, que possui grande volume de itens e pouco peso; Capacidade de entregar em dias e horários diferenciados. A distribuição de calçados geralmente é feita em pontos de muita movimentação, como shoppings e lojas de rua; A concorrência, principalmente da China; Incorporação de uma logística integrada, a fim de atender às exigências cada vez maiores dos embarcadores, que também são pressionados a atender o cliente final.

Carlos Sandrini, gerente comercial da Sequoia Logística e Transportes (Fone: 11 4391.8800), diz que as dificuldades são as mesmas da grande parte dos setores, como a frequente pressão por redução de custos, entregas cada vez mais fracionadas e em prazos menores. Outro ponto é que cada vez mais as empresas estão trabalhando menos com packs (caixa já com a grade do calçado) e mais com peças, gerando um fracionamento ainda maior.

Thiago Menegon, diretor comercial da TDB Transporte e Distribuição de Bens (Fone: 11 2127.4900), também acha que o maior desafio atual é manter as frequências de entrega no momento que o mercado esta desaquecido ou em baixa demanda. “Precisamos readequar alguns prazos e montar parcerias com empresas até então concorrentes com a finalidade de manter os volumes de carga e conseguir manter os níveis de serviços com alguns clientes.”

Já na listagem de desafios de Lilian Scaramella Fernandes, gerente comercial da Fox Cargo do Brasil (Fone: 11 3543.0200), estão: sobreviver às más condições das estradas, ao grande índice de roubo e ao difícil acesso a alguns municípios.

Restrições Já que falamos em desafios, vale saber se as restrições à circulação de caminhões nos grandes centros, em São Paulo, já é um assunto superado pelos OLs e pelas transportadoras? E, também, como estão questão foi solucionada? Araujo, da Alfa Transportes, destaca que o assunto foi devidamente superado, alocando equipamentos adequados à operação. “Este assunto já foi superado pelas transportadoras, pois precisamos readequar a frota de operações urbanas, porém as restrições trouxeram acréscimo de custos operacionais”, avalia Menegon, da TDB Transporte.

Lilian, da Fox Cargo do Brasil, também diz que este impasse já foi solucionado. Embarques e entregas de menor porte foram facilitadores para que esta logística flua sem impasses, comenta.

“No contexto operacional, trata-se de um assunto já superado. As empresas se adaptaram, porém umas sofreram mais, outras menos. Entretanto, é fato que a restrição à circulação de caminhões dificulta cada vez mais vez a operação. É um item encarecedor e dificultador, exigiu uma reengenharia dentro das empresas para se adaptarem. Aumentou os custos da operação, porque tivemos que ter mais recursos materiais e humanos para desempenhar a mesma atividade. E isso teve que ser absorvido pelos clientes e pelos operadores”, diz Hudinik, do Expresso Princesa dos Campos.

Ele também informa que a empresa tem um grande diferencial em São Paulo, que é a sua localização privilegiada. “Como estamos situados na região da Casa Verde, 40% da mercadoria oriunda de São Paulo chega ao nosso Terminal de Cargas sem necessidade de coleta, ela é entregue diretamente pelos clientes. Isso nos ajuda a escapar em grande parte desse problema.”

Zorzi, do Grupo Farrapos, por sua vez, acredita que os Operadoras que contam com um mapa de rotas de distribuição bem montado e uma frota razoável de veículos adequados já tenham superado ou estejam em vias de superar este obstáculo.

Mais amplo em sua análise, Rubens Lacerda, diretor de Planejamento da Rodomaxlog Armazenagem e Logística (Fone: 11 3973.7944), lembra que as restrições de circulação não atingem somente o setor calçadista e sim todos os demais. “No transporte fracionado provoca grande impacto, nos adaptamos utilizando veículos de menor porte (atendendo a normativa) para realizar da melhor forma nosso trabalho. Desta forma, temos um menor faturamento com uma despesa maior”, lamenta o diretor.

E Sandrini, da Sequoia, diz que as restrições ainda causam algumas dificuldades, o que, em grande parte, vem sendo resolvido através do mapeamento dos pontos e horários de entrega e com a criação de circuitos roteirizados, além da adequação da frota ao modelo/tamanho permitido.

Roubo de cargas

O roubo de cargas seria outro grande desafio enfrentando na logística do segmento de calçados? Ou mellhor: o setor enfrenta o roubo de cargas em grande monta, ou não? Em caso positivo, quais as medidas para evitar esta situação?

Apesar de o setor de calçados não estar entre os 10 mais afetados pelo roubo de cargas, ele também é acometido com certa frequência. As ações preventivas devem ser as mesmas para quase todos os setores.

“No Grupo Farrapos, além de contarmos com seguro da carga e do caminhão, recomendamos aos nossos motoristas: não fazer paradas desnecessárias; evitar dar carona e ficar atento ao entorno; não deixar objetos de valor à vista dentro do veículo; evitar falar demais sobre a carga com outras pessoas; ao parar para tomar banho, comer ou descansar, estacionar o veículo em local visível; não deixar ele aberto, nunca; deixar o caminhão em local iluminado durante a noite; se notar que está sendo seguido, não fazer nada e avisar a polícia; checar o caminhão antes de sair e procurar marca-lo com sinais ou adesivos que facilitem sua identificação; manter a calma e nunca reagir a um assalto. Os ladrões também estão nervosos e não têm nada a perder! A nossa vida é sempre a carga mais importante que podemos levar e a única que não poderemos jamais recuperar!”, diz o diretor executivo do Grupo Farrapos.

Pela sua área de atuação, a Princesa dos Campos não sente tão fortemente os impactos dos roubos de cargas, porque estão mais concentrados especialmente na região Sudeste, embora tenham conhecimento dos prejuízos gerados ao setor de transportes.

“No entanto, mesmo em um cenário não tão negativo, a Princesa dos Campos adota sistematicamente medidas preventivas, que vão desde investimentos em tecnologias embarcadas, em gerenciamento de riscos com relação a colaboradores e prestadores de serviço, adoção de práticas de gerenciamentos de riscos e de frota, além de contratação de seguros”, explica Hudinik.

Sandrini diz que, no caso da Sequoia, não teve grandes problemas nos últimos tempos, porém, acreditam que muito se deve ao seu PGR (Plano de Gerenciamento de Risco), onde há várias ações, desde o rastreamento do veículo até o limite de valor por carro, além de outras ações específicas que trazem um risco menor.

Já para Menegon, da TDB Transporte, este problema ainda persiste, e os índices de roubo aumentam a cada ano, principalmente nos estados que atendem. “Em São Paulo e no Rio de Janeiro percebemos que a maior parte das ocorrências é por conta de informações passadas por pessoas infiltradas como funcionários. Neste ponto aprimoramos muito os critérios de seleção e contratação de mão de obra, além de aumentarmos os critérios de pesquisas com antecedentes criminais. Somado a isso houve mudanças de horários de operação e aumento da frota rastreada e monitorada.”

Também para Lilian, da Fox Cargo do Brasil, o roubo é uma rotina frequente para este tipo de commodity. Ainda segundo ela, as transportadoras tentam investir em tecnologias de travas automáticas, mas por enquanto a maneira paliativa é evitar rotas de índice grande de roubos. “Sim, o roubo afeta o nosso setor, assim como todos os outros. Por serem atrativos e de fácil escoamento no mercado, há necessidade de aprimoramento das equipes responsáveis pelo Gerenciamento de Risco, analisando cuidadosamente as áreas de entregas, principalmente em grandes centros”, completa Lacerda, da Rodomaxlog.

Fretes E a fixação da tabela mínima de fretes? Quais os seus reflexos especificamente no setor de calçados?

Para Hudinik, da Expresso Princesa dos Campos, o impacto vai ser sensível para todos os segmentos, porém em escalas diferentes para cada um, conforme o ramo logístico. As empresas vão ter que se reorganizar na sua cadeia para poder absorver dentro da margem operacional essa elevação do custo. “Isso impacta em menor rentabilidade ao transportador, por isso é interessante performar no volume para melhorar essa situação”, completa Lilian, da Fox Cargo do Brasil.

Sandrini, da Sequoia, também aponta que da maneira que está em vigor, ela trará um acréscimo nos custos de frete, que provavelmente será repassado ao custo dos produtos, uma vez que a maioria das empresas a usa nessa composição.

Por sua vez, Zorzi, do Grupo Farrapos, diz que, assim como os fabricantes, ainda estão analisando os possíveis impactos dessas mudanças no frete, bem como as possíveis iniciativas a serem tomadas. E Menegon, da TDB Transporte, finaliza: “em nosso caso, como operamos com rotas curtas, não houve impacto significativo, percebemos um reflexo maior em rotas mais longas”.

Avaliação do Prêmio Top do Transporte

Veja a seguir como os participantes desta matéria especial avaliam o Prêmio Top do Transporte – promovido pelas revistas Logweb e Frota&Cia – para este segmento.

“O Top do Transporte virou um selo de excelência, quase tão importante quanto um certificado de qualidade. Pela metodologia do Prêmio, é também um reconhecimento por parte dos Operadores Logísticos às empresas que se destacam com excelência em suas atividades.”

Florisvaldo Hudinik, diretor presidente da Expresso Princesa dos Campos

“Entendemos que o Top do Transporte dá chance às transportadoras de mostrarem sua excelência, suas singularidades e comprometimento com o mercado. Mas para que isto aconteça é preciso que os embarcadores participem, votando. Neste quesito, ele também é fundamental para os próprios embarcadores; uma espécie de termômetro.”

Ismael Zorzi, diretor executivo do Grupo Farrapos

“O Prêmio é uma excelente ferramenta de marketing e comercial, pois é o reconhecimento de nosso trabalho pelos nossos clientes. E serve de referência para outras empresas que não conhecem ou não operaram com nossa empresa.” Thiago Menegon, diretor comercial da TDB Transporte e Distribuição de Bens

“O Prêmio Top do Transporte é fundamental para o incentivo das empresas que atuam neste segmento.” Lilian Scaramella Fernandes, gerente comercial da Fox Cargo do Brasil

“A premiação para este segmento agrega maior valor à empresa premiada, possivelmente trazendo a possibilidade de atrair novos clientes.” Carlos Sandrini, gerente comercial da Sequoia Logística e Transportes

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